Charles, o Buk
- Trunca Edicoes

- 23 de jul. de 2010
- 2 min de leitura

Recauchutando tra(b)duções…
Pássaro azul no meu coração (Bukowski)
há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou muito durão, e digo, fica aí dentro, não vou deixar ninguém te ver. há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu derramei whisky em cima dele e inalo fumaça de cigarros e as putas e os empregados do bar e os funcionários da mercearia nunca saberão que ele se encontra lá dentro. há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou muito durão, e digo, fica aí escondido, quer me arruinar? quer fuder o meu trabalho? quer arruinar as minhas vendas de livros na Europa? há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou muito esperto, e só o deixo sair à noite às vezes quando todos estão dormindo. e digo, eu sei que você está aí, por isso não fique triste. depois, coloco-o de volta, mas ele canta pouco lá dentro, não o deixo morrer de todo e dormimos juntos assim com o nosso pacto secreto e é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro,
e você?
À medida que os poemas vão
a medida que os poemas vão aos milhares você percebe que criou muito pouco.
A morte está fumando meus charutos
você sabe: estou bêbado mais uma vez aqui escutando Tchaikovsky no rádio. Jesus, eu o escutei 47 anos atrás quando eu era um escritor faminto e aqui está ele de novo e agora eu sou um pequeno sucesso como escritor e a morte está andando pra cima e pra baixo nesse quarto fumando meus charutos tomando goles do meu vinho enquanto Tchaik trabalha na Pathétique, foi uma boa caminhada e se eu tive alguma sorte foi porque joguei os dados direito: me esfaimei por minha arte, me esfaimei pra ganhar 5 malditos minutos, 5 horas, 5 dias – eu só queria colocar a palavra ali; fama, dinheiro, não importavam: eu queria a palavra ali e eles me queriam numa prensa hidráulica, numa linha de montagem eles queriam que eu fosse estoquista numa loja de departamentos.
bem, a morte diz, enquanto anda ali, eu vou te pegar de qualquer jeito não importa o que você foi: escritor, taxista, cafetão, açougueiro, pára-quedista, eu vou pegar você…
o.k., baby, eu respondo.
nós bebemos juntos agora enquanto 1 da manhã desliza até 2 da manhã e só ela sabe o momento, mas eu apliquei um golpe nela: tive meus 5 malditos minutos e muito mais.



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