Charles Bukowski
- Trunca Edicoes

- 31 de mar. de 2011
- 1 min de leitura

Muita correria, sem tempo de escrever ou traduzir. Segue aqui então três poemas do Buk traduzidos e publicados em meu antigo blog.
SOZINHO COM TODO MUNDO
a carne cobre o osso e eles jogam uma mente ali dentro e às vezes até alma, e as mulheres quebram vasos contra as paredes e os homens bebem muito e ninguém acha aquele escolhido que procuram mas continuam rastejando pra dentro e pra fora das camas. o osso e a carne procurando mais do que carne.
não há chance alguma: estamos todos presos por um destino singular.
ninguém nunca encontra o outro que procura.
os esgotos enchem os ferros-velhos enchem os hospícios enchem os hospitais enchem os cemitérios enchem
nada mais se preenche.
OLÁ, COMO VAI VOCÊ?
este medo de ser o que eles são: um morto.
pelo menos eles não circulam pelas ruas, eles se cuidam e ficam lá dentro, aqueles branquelas esquizóides que se sentam solitários na frente de suas tvs, com suas vidas cheias de risadinhas mutiladas e enlatadas.
sua vizinhança ideal de carros estacionados de gramadinhos verdes de casinhas de portinhas que se abrem e se fecham quando seus parentes aparecem pra uma visitinha nos feriados as portas se fechando diante dos que morrendo morrem tão lentamente diante dos mortos que ainda estão vivos na sua quieta e típica vizinhança de ruas sinuosas de agonia de confusão de horror de medo de ignorância.
um cachorro parado atrás da cerca.
um homem silencioso na janela.
TARDE DEMAIS
Ah sim
há coisa piores que estar sozinho mas leva-se décadas, em geral, pra se perceber isso e na maioria das vezes quando você percebe é tarde demais
e não há nada pior do que tarde demais.



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