V.I. em seu escritório, a sós
- 23 de mar. de 2011
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Lênin chega à estação Finlândia-Rússia, voltando de seu exílio suiço. Em seu discurso na própria estação defende, contra a opinião de todos do partido, a necessidade de levar a revolução adiante.
Abaixo um pequeno poema do “Livro Vermelho para Lênin” do poeta Roque Dalton. Pra mim, esse poema descreve o momento em que Lênin, exilado em Berna, na Suíça, diante dos dilemas teóricos e concretos do processo revolucionário russo, decide estudar a obra mais difícil de Hegel: A Lógica. Por que exatamente estudar Hegel em um momento tão turbulento? “Ora, Lênin sentiu a necessidade de buscar pressupostos científicos e filosóficos para fundamentar em um novo patamar teórico suas posições políticas. Tudo indica que, ao procurar Hegel, o dirigente russo não queria politizar a filosofia mecanicamente, mas teorizar a política dialeticamente. Em certo sentido seguia os passos de Marx, que sentira a necessidade de voltar à Ciência da Lógica antes de redigir O Capital.” (trecho do texto de Cristiano Capovilla)
Depois da absorção da dialética em nível mais profundo, Lênin volta para a Rússia certo de que a tomada do poder deveria ser levada a cabo… convence seus companheiros de partido ao longo de debates e mais debates (todos eram contrários a tomada do poder naquele momento) e a revolução russa tem início. Pra mim, esse poema descreve esse momento único na história da humanidade, em que Lênin, lendo a Lógica de Hegel compreende num mais profundo nível a dialética viva da história e percebe a necessidade de fazer a revolução mesmo que as condições históricas aparentes não indicassem essa possibilidade.
V.I. EM SEU ESCRITÓRIO, A SÓS
A Jesús Diaz
Pensar em plena meianoite histórica: oh fogo cordial na casa que cresce em meio à tempestade, oh vibração que salva a vigília, oh rio que saúda o deserto invadindo-lhe.
Dois olhos vivos, microscopiantes e telescópicos no lago de luz da pequena lamparina.
E o livro.
O livro, um amigo-inimigo, um irmão exigente, um desafio ou uma armadilha, uma arma, um trampolim, uma semente crítica.
E a página branca, como toda a história da terra serva dos próximos minutos.



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