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Poesia de luta?

  • 14 de out. de 2010
  • 2 min de leitura


Texto que fiz para abrir a exposição de poesias da 3a Mostra Luta:

Poesia de luta?

“En la lucha de clases, todas las armas son buenas: piedras, noches, poemas.” Paulo Leminski

Poesias comprometidas com a minha e com a tua vida, como nos diz Thiago de Mello. Poesias que não são somente para o deslumbramento, grande adereço da melancolia, como falava Dalton, mas que seguem sendo belas entre as belas armas reais que brilham debaixo do sol, entre nossas mãos e sobre nossos ombros. Poemas que no povo se fazem maduros como o sol na garganta do futuro, afirmou certo Gullar. Poesias daqueles que sabem que nem só de poesia vive o poeta, que há o fim do mês, como sempre nos alertou Solano Trindade; poesia dos que sabem que a vida, cutucava Otto Castillo, é a mais alta poesia. Poesia que é menos que poesia, talvez anti-poesia como ensinou Nicanor Parra, ou então é mais que poesia, é a muralha – de Guillén – se abrindo diante do coração amigo e se fechando para o veneno e o punhal traiçoeiros. Um incêndio no sangue, sentia Rugama, um relâmpago perpétuo, trovejava Scorza.

É esse tipo de poesia que você encontrará exposta, aqui, na 3ª Mostra Luta. Essa “poesia suja” fruto da luta, da revolta contra a ordem. Poesia que crava pés no chão para abrir, no olhar, horizontes. Poesia contraditória. Sim dentro do não. Poesia para os que precisam se enternecer, sem perder a dureza, jamais! Sim, camaradas, há lugar para os poetas na barricada…

HÁ UM LUGAR NA BARRICADA (Pedro Tierra) Quando o povo bater à porta, não te encontre com as mãos vazias.

Confere as coisas embaladas: não se permitem dúvidas nas bagagens de guerra.

Se entre os companheiros ainda há quem pergunte a razão dos poetas,

encontra, primeiro, teu lugar na barricada, depois, entre os combatentes, aponta

o rosto enérgico de tua poesia.

 
 
 

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