top of page

Palpites da Copa


10378927_269294793256940_2863227537671315891_n

(capa de Marcatti para disco da banda Ratos de Porão – 1989)

PALPITES da COPA (Luiza Romão)

Era pra ser de várzea, te fizeram Itaquerão. Era pra ser pelota, pelada Pedala, Pelé, projeto de pátria, bola no pé mas virou World Cup pro elenco de estrelas, investimento estratosférico, não sei mais o nome dos teus astros, por isso escalo o que vejo no estádio: Fiat na zaga; Adidas pelo meio; BR cruza pra Unimed lá vem Semp Toshiba olha o Habbibs chegando LG com Liquigaz, e é GOOOOOOL!!! (Linhas áreas inteligentes) nesse passe-repasse, a bolada some num passe de mágica. em campo são onze, mas a ordem vem do Banco. Apararam a grana do gramado pra debaixo do tapete. o chapéu virou cartola; não sei o que fizeram do coelho nessa história. não há impedimento pros seus cruzamentos financeiros. a barreira aperta mas a bola sobe: encobre o goleiro, o fiscal, o agiota. seu estádio vale mais do que qualquer escola professor bem pago é o técnico dessa palhoça enquanto isso, os moleques só usam caneta na hora de fazer gol de letra. Aos 48 do segundo tempo Um, dois, cinco milhões de acréscimo por alguma entrada ilícita ou falta de planejamento o meio de campo tá armado com canhão, tiro de meta pra silenciar quem, do lado de fora, protesta Carrinho agora é blindado bicicleta, envenenada arquibancada só pra quem tem cartão amarelo visa, mastercard ou cielo de TUP(i) só a organizada, sua língua oficial é Real Madrid Sócrates virou auto-ajuda Casagrande nunca foi da senzala seus ídolos não tem mais Raí. na minha terra tinha Palmeiras onde cantava galo, gavião, periquito terra de todos os Santos de São Paulo a Santo Expedito. era pra ser Fla-flu Botando fogo nos Sport Grêmios de toda sorte. mas seu Cruzeiro aponta pro Hemisfério Norte, você só quer saber ser auto-alstral sua Vitória é Internacional Se esse é o país do Futebol, eu penduro minhas chuteiras enquanto o grito na garganta for motivo de pranto, espero voltar do vestiário o futebol primário, sem empreendedores que faz de nós, Libertadores!

poema declamado:


 
 
 

Comentários


bottom of page