ouvir a poesia
- 30 de mai. de 2010
- 2 min de leitura
Cássio num solo interior (guitarra, baixo, vocal, escaleta, kulelê, acordeon, etc)
Hoje de manhã parei a correria toda desta semana de escritura da dirce (como diz uma amiga sobre a dissertação de mestrado) para ir gravar no estúdio algumas músicas da banda que faço parte, a “Paramnese (provisória)”. Paramnese é uma disfunção da memória, como se fosse o oposto da amnésia, logo, a pessoa paramnética lembra de coisas que nunca aconteceram, reconhece como antigos amigos pessoas que vê pela primeira vez. Acho que todos deveríamos ser mais paramnéticos na vida, no diadia… o mundo seria bem mais bonito e divertido assim, sem dúvida 🙂
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Paulo (guitarra, violão), Gera (batera), eu (baixo, percussão, vocal) Apesar da atividade do estúdio ter sido desgastante e frustante (o estúdio era muito ruim e nos deixou bem na mão), fiquei feliz e emocionado de poder ter encontrado esse grupo de 4 companheiros dispostos a serem tudo que quisermos numa banda. Muito bonito ver uns marmanjos barbados se deixando brincar e sorrir e se emocionar nos ensaios toda segunda… ver a eletricidade entre a gente, no último ensaio, reinventando uma antiga música, espontaneamente, como se descobríssemos uma brincadeira nova, uma força nova dentro do que já fazemos… ah, e a lua, e a lua… 🙂 no fundo, o que move todos, ali, é uma busca (ingênua, talvez, mas nem por isso menos importante) por um pouco de liberdade, numa entrega amorosa à vida (com tudo que ela tem, de bom e ruim) através da música e da poesia, que são os brinquedos com que vamos nos descobrindo juntos. Feliz por tudo isso, que parece tão pouco, mas não é… (sem contar que não há o que pague cantar SurfinBird do Ramones no “bis” numa festa entre amig@s)
Rodrigo (trompete, teclado e vocal principal)
Abaixo vai 2 trechinhos finais da gravação de hoje da música “Rua”, uma das músicas que mais gosto da banda (a letra é do Cássio, que é também um poetinha). Fora de série, na gravação, foi ver o Cássio subvertendo a desgraça, aproveitando a microfonia das caixas (os “técnicos” não nos ajudavam) e fazer uma sonzêra. Ah, e o Rodrigo segurando o coração pulsante da banda na ponta do seu pulmão, na boca do trompete. Pra quem quiser ouvir a música na íntegra ( e ver um pouco da banda), vai no fim do post o “registro” dessa música numa apresentação “acústica” na Unicamp. Há 4 vídeos da banda publicados aqui no blog, para vê-los basta clicar aqui.
Trechos finais da música “Rua” – gravação de 29 junho
Obs.: A gravação tá com variação de volume, as guitarras tão baixas demais… foda mesmo esse estúdio…
trecho final “Rua” – versão 1 http://www.camaracom.com.br/rua1.mp3
trecho final “Rua” – versão 2 http://www.camaracom.com.br/rua2.mp3
Paramnese toca “Rua” – versão “acústica”
Letra de “Rua” (Cássio Corrêa)
Com as mãos enfiadas no bolso, Da jaqueta de lã marrom, Atravesso o desespero e sinto a rua. Paro no precipício da guia, E me estilhaço em cada olhar.
Sou o bife de ouro do velho-homem-sanduíche, Compro os caminhões de plástico dos meninos, Transporto os desejos de cada garota, Desejo o pão dormido de todo mendigo.
Quero beber o choro de toda namorada, Abandonar o medo da poça dágua, Urinar do sino de toda praça, E ficar num banco, sonhando estrelas.
Anunciei o apocalipse – 9,90 Esmolei ouvidos e acordeons, Rebolei a calça e o descontrole, Esperei o sinal menstruar.
Com as mãos enfiadas no bolso, Nesta fria ave-maria, Senti-me mais humano, Mais humano que um grito.
Mais humano que um tijolo, Mais humano que um rio, Mais humano que um espelho, Mais humano que um estilhaço.



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