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Nada extraordinário

NADA EXTRAORDINÁRIO (Hugo Fernández Oviol, Venezuela, 1927-2006)

Eu não peço nada extraordinário: a ninguém disse, por exemplo, corte sua mão direita e me entregue entre fatias de pão branco.

Por acaso disse a alguém: esqueça o nome de tua mãe e cave uma imensa sepultura no ventre de teu irmão?

Não. Eu não pedi nada extraordinário nem um só pode me desmentir quando digo: eu não pedi a ninguém que arranque os olhos para que o sol lamba a cicatriz do pranto.

E mais, a ninguém pedi ainda: amamenta a metade de tua sede para que me presenteie a metade de tua água.

Eu simplesmente disse: Não quero que meu irmão sofra fome, não quero que roubem seu trabalho, não quero que seja morto em terra estranha…

E, no entanto, há gente enfurecida disposta a me quebrar o violão, empenhada em dissecar minha voz sobre o lenho escuro de uma encruzilhada, decidida a converter meus ossos em farinha amarga e carcerária…

Eu não os compreendo, amigo, eu não peço nada extraordinário.

(Tradução de Jeff Vasques


 
 
 

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