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Manifesto sem poesia

  • 29 de mai. de 2014
  • 1 min de leitura

MANIFESTO SEM POESIA (Jeff Vasques)

O amor quando nasce nos peitos

tem a força revolucionária do capitalismo em seu surgimento:

amplia nossas forças produtivas rompe nosso isolamento nos conecta como seres coletivos.

Mas, em seu desenvolvimento, o amor, – assim como o capitalismo – se cristaliza em suas relações de privada propriedade…

e de propulsor se torna entrave ao livre fluir das energias afetivas-sociais-íntimas: os choques e crises se tornam inevitáveis à medida que tendencialmente decresce sua taxa de liberdade e vida.

O amor – como o conhecemos hoje – é esse capital sanguíneo em nossos corações que pulsa pulsa – a cada diástole e sístole – sua frenética liberdade de oferta e procura oferta e procura oferta e procura

(desde que reclusa ao cerco da propriedade quando efetivamente se consuma)

O amor – como o conhecemos hoje – é a propaganda e o marketing é o monopólio da beleza é o império da fuga é a esperança infinita num consórcio mítico a mercadoria que mais vende – e seu procon psicanalítico – é o groupon orgiástico é o juros afetivo é o investimento de longo prazo ou de risco é o mercado de indivíduos isolados procurando – desesperados – sentidos.

E, sim, o amor quando nasce nos peitos nas bocas nos olhares tem essa potência cheia de novos sentidos.

Mas, não, não em seu desenvolvimento, quando se faz privada mônada de fechamento, sofrimento, terror.

Partidos corações corporações partidos trabalhadores de todo o mundo

não uni-vos

em tão restrito matrimônio de medo e dor

é preciso superar a propriedade privada dos meios de produção da vida

é preciso superar o amor.


 
 
 

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