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Jorge Roberto Santoro

  • 24 de set. de 2010
  • 2 min de leitura


Roberto Jorge Santoro se apresentava assim: “sangue tipo A, fator RH negativo, 34 anos, 12 horas diárias a busca castradora, desumana, do soldo que não se alcança. Dois empregos, escritor surrealista, ou melhor, realista do sul. Vivo em uma engrenagem. Filho de operários, tenho consciência de classe. Rechaço ser travesti do sistema, essa podre máquina social que faz que um homem deixe de ser um homem, obrigando-o a ter um despertador no cú, um bilhete de loteria na cabeça e um cadeado na boca.”

Santoro assumiu sempre uma atitude política militante. De idéias trotskistas, na década do 60 integrou-se ao Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Como muitos amigos, poderia ter saído do país assim que começou a ditadura, mas optou por ficar e trabalhar em clandestinidade. Um dos trabalhos mais destacados de Roberto Santoro é o que realizou para compilar os textos que fazem parte de “Literatura de pelota”, obra em que reproduz poemas e escritos de destacados intelectuais argentinos a respeito da paixão pelo futebol. Santoro inaugura, assim, a primeiro aproximação para a tentativa de reconciliar à alta cultura com as expressões mais populares da sociedade argentina.

Nasceu em Buenos Aires em 17 de abril de 1939. Foi pintor, repositor, professor em uma escola industrial, tipógrafo, vendedor ambulante e poeta. Foi sequestrado por elementos do terrorismo de Estado em 1o de junho de 1977. Até hoje se encontra desaparecido.


AS COISAS CLARAS

minha voz está em seu lugar o coração sabe algo mais porque me dói

por isso digo: terrível ofício é repartir equivocadamente os abraços e que a alma viva entre cachorros esfomeados

um de meus erros foi crer que todos éramos irmãos

e agora não se pode trocar o horizonte pela nostalgia há que esquecer-se dos velhos sorrisos e andar com a dor às costas para que sirva definitivamente

nunca disse minha lágrima foi grande sofri não me quiseram

cada um conhece sua dor e sabe de que maneira conversar com a desgraça

que venha a vida e me golpeie de nada vale fechar os olhos

um homem dormindo é uma dor que descansa

é duro o amor quando se nega um dia no entanto recosta seus abraços apoia seu mistério em minha cabeça e me leva a viver no primeiro piso de um incêndio

não comparo simplesmente dou meu fruto e espero

da semente mais humilde pode brotar o fogo ou a formosura

se estou encurralado entre dois beijos decido me enroscar ao pé de meu coração e sonho

sou triste até os sapatos

à hora do chá minha alegria se senta e chora comigo

mas sustento que um dia ainda que o amor seja o irmão implacável da chuva da minha casa a teus olhos não haverá naufrágios.

LIMPEZA

durante 15 segundos e em jejum repita-se diariamente as seguintes palavras fi-lhos-da-pu-ta-fi-lhos-da-pu-ta

CHUVA NA VILA

lá fora a água cai de cima pra baixo cá dentro a água sobe de baixo pra cima.

TEORIA POÉTICA

a estética ética est


 
 
 

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