top of page

Jara e Pessoa

  • 14 de jun. de 2010
  • 3 min de leitura

Lembrei de uma música linda, linda, linda do Victor Jara que tem muita relação com o poema do post anterior (“Oração para Marilyn Monroe” de Ernesto Cardenal). Fala de uma menina seduzida pela imagem de suscesso e alegria vendida em nossa sociedade… como foi Marilyn… Segue a música abaixo, com sua letra e tra(b)dução… E, como nunca é demais, divulgo novamente o vídeo em que o povo chileno organizado desmascara um dos assassinos de Victor Jara (EDWIN DIMTER BIANCHI), que vive normalmente em uma repartição pública como se nada tivesse acontecido… O vídeo é muito forte, assista! Victor Jara foi brutalmente assassinado durante o golpe que derrubou Allende no Chile…. a história que se passou pelos sobreviventes do Estádio do Chile é de que quando reconheceram que Victor era o artista que tocava fogo e amor nos corações dos trabalhadores chilenos, cortaram suas mãos e o desafiaram a tocar desse jeito. Carregamos no peito a vida e as canções de victor e de tantos outros que foram mortos na ditadura chilena e na ditadura velada em que vivemos… Que lá, no Chile, como no Brasil, os assassinos da ditadura não recebam qualquer anistia!

Por fim, aproveito também que dia 12 agora se comemorou 120 anos do nascimento do Fernando Pessoa, posto abaixo um poema que fiz dedicado a esse figura… é um poema que gosto muito… de uma época em que me sentia o próprio, ou, pior, um de seus heterônimos… Depois do poema, um vídeo de Bethânia recitando lindamente o “Invocação”… Pessoa é um mestre, sem dúvida, mas não mais o meu… e digo isso com um certo sorriso, como de um heterônimo que se rebela… 😉

Quién mató a Carmencita – Victor Jara

Con su mejor vestido bien planchado, iba temblando de ansiedad sus lágrimas corrían a los lejos gemidos de perros y de bocinas el parque estaba oscuro y la ciudad dormía.

Com seu melhor vestido bem passada, ia tremendo de ansiedade suas lágrimas corriam à distância os gemidos de cães e buzinas o parque estava escuro e a cidade dormia…

Apenas quince años y su vida marchita el hogar la aplastaba y el colegio aburría en pasillos de radios su corazón latía deslumbrando sus ojos los ídolos del día.

Apenas quinze anos e sua vida murchinha o lar a esmagava e o colégio a aborrecia com pasillos (ritmo típico) dos rádios seu coração batia deslumbrando seus olhos os ídolos do dia.

Los fríos traficantes de sueños en revistas que de la juventud engordan y profitan torcieron sus anhelos y le dieron mentiras la dicha embotellada, amor y fantasía.

Os frios traficantes de sonhos em revistas que da juventude engordam e se aproveitam torceram seus anseios e lhe deram mentiras a felicidade engarrafada, amor e fantasia.

Apenas quince años y su vida marchita… Apenas quinze anos e sua vida murchinha…

Huyó, Carmencita murió en sus sienes la rosa sangró partió a encontrar su ultima ilusión.

Fugiu, Carmencita morreu em seu semblante uma rosa sangrou partiu para encontrar sua última ilusão

La muchacha ignoraba que la envenenarían que toda aquella fábula no le pertenecía, conocer ese mundo de marihuana y piscina con Braniff International viajar a la alegría. A garota ignorava que a envenenariam que toda aquela fábula não lhe pertencia, conhecer esse mundo de marihuana e piscina com Braniff Internacional (grande empresa de aviação) viajar à alegria.

Su mundo era aquél, aquél del barrio Pila de calles aplastadas, llenas de griterías su casa estrecha y baja, ayudar la cocina mientras agonizaba otros se enriquecían. Seu mundo era aquele, aquele do bairro Pila de ruas esmagadas, cheias de gritarias sua casa estreita e baixa, ajudar na cozinha enquanto agonizava outros se enriqueciam.

Los diarios comentaron: causa desconocida… Os jornais comentaram: causa deconhecida…

Revelado assassino de Victor Jara

Em homenagem aos 120 anos de Fernando Pessoa

.

Pessoa

(para os heterônimos de Fernando)

Sou entre tantos e quase não existo um cheiro estranho não mais que isso.

Sei, devo estar em algum lugar escondido

(entre esta úmida sensação de chuva

e a ventofresca impressão de secar)

Amanhã, talvez, ganhe um resfriado e um pouco mais de existência.

(Jefferson Vasques)

Poema Invocação (Passagem das Horas) recitado por Bethânia


 
 
 

Comentários


bottom of page