Ibero-americanos
- 17 de jan. de 2013
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(3 cravos vermelhos: minha singela homenagem ao poeta lutador Ibero Gutierrez, brutalmente assassinado pelo Esquadrao da Morte durante a ditadura uruguaia)
IBERO-AMERICANOS
Só 13 estrondos de raiva depois
– entre esbaforidos e consternados –
apenas depois de 13 covardes disparos
por fim aceitaram
– no silêncio rojo que anunciavas –
quão fundo, feroz e calmo
quão
fundo feroz e calmo
fora teu ¨não¨, Ibero,
enquanto te imploravam – armas em fronte – que pedisses perdão.
Se ao menos te conhecessem um pouco, irmão, saberiam esse teu canto delirante que despe o perdão do mundo que rasga as piedades da paz e danca todos os pecados pelados sobre culpas de caramelo derretidas.
¨Sabes lo que es la carne?¨ tentaria indagá-los… mas eles não sabem, Ibero… eles não…
Perdão por conspirar a plenos pulmoes com a vida? Perdão por agir a poesia, dando-lhe pernas, carne, mãos? Perdão por exorcisar num só canto todos medos do corpo? Perdão por essa profundississima irmandade com todos? Perdão por amar o amor de a dois e das estrelas? Perdao pelo iberismo que raia nos olhos a cada novo dia? Perdão, enfim, por lutar por outra America Latina?
Sobre teu corpo, companheiro, escreveram – entre esbaforidos e consternados – ¨Tu tambem pediste perdão. bala por bala. morte por morte¨
e sobre todos os coracoes a que chegaste, Ibero, escrevo esta sorte:
¨Fala por fala Vida por vida
sem qualquer perdão
segue tua luta
segue tua poesia¨
Ibero, te seguimos cantando e assim nos fazendo Ibero-americanos.



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