Estátuas
Poesia do educador popular e fundador do núcleo 13 de maio de educação popular, coletivo que trabalha há mais de 25 anos na formação política da classe.
Estátuas
Abaixo o mastodonte de granito! Força, todos juntos, que as cordas já uivam asfixiando como um urso o pedestal. Pronto! O homem de pedra estrondeia e se estatela no meio da praça. Empunhemos as marretas e os martelos! (Foices não! Ainda uma vez não: enfeites e armadilhas.) Vamos, espatifem o seu olhar sereno espicacem o seu vulto solene sua testa larga, suas orelhas. Desmoronem e esfrangalhem todos os dinossauros e suas cabeças de esclerose. Dilacerem todas as múmias e seus catecismos simplórios. Profanem os altares do socialismo científico e todos seus lugares sagrados pois é a hora dos iconoclastas e o crepúsculo dos deuses. Nos pedestais vazios se quiserem soergam a altiva Liberdade com seu facho novaiorquino e seus raios democráticos. Sim. Façam tudo isso mas, ao final, sepultadas as caricaturas ao menos por curiosidade, abram seus livros. Desvencilhados de monumentos e fetiches desacorrentem seu pensamento crítico derrubem também as comportas com que cercam em pântano o fluir de sua dialética, e a louca paixão pela humanidade. Então outra vez companheiro Carlos e Frederico companheira Rosa e companheiro Ilitch serão vocês perigosos outra vez.
Humberto Bodra



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