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Dia de Finados

  • 10 de fev. de 2010
  • 1 min de leitura

o vento arromba a janela e revela – por entre as cortinas – o azul solar do dia e as risadas duns meninos

de dentro da casa um garoto pára

observa – comovido – o dia

sente algo estranho um nojo bonito uma ânsia clara sente um horror que brilha

(não, garoto, ainda não era poesia)

era domingo

e era o cheiro doce das flores – terrivelmente doce – coroando colorindo coroando o que mal cheirava e à palidez colorindo

levanta ainda antes que lhe falte o ar e fecha a janela às travas

e, com quase o mesmo rosto, retoma o delicado trabalho – em que estava – de empalhar os mortos.

 
 
 

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