Conto de fatos
- 28 de jul. de 2012
- 2 min de leitura
UM CONTO DE FATOS
OU QUAL A MORAL DA HISTÓRIA?
(pra ler toda noite antes de dormir)
Antes, mas muito muito antes de haver um antes
quando o nunca ainda era sempre e não havia nem trás nem frente
não era uma vez.
Mas eis (e esse “eis”, é uma esperta manobra do autor desta história) mas eis que bem no meio do nemnada desse impensável-impossível fez-se um “boom”.
(nada elegante, eu sei, mas é o que há de mais moderno)
E só então – com esse “boom” – é que enfim “era uma vez” (e era tanta vez reprimida e acumulada que foi tudo de uma só vez): todo o tempo e o espaço e o universo infinito pretin e salpicado de trolhões de galáxias, zilhões de estrelas, caralhada de planetas, cometas e no meio disso tudo um monte de matéria negra.
E, então, (e por “então” entenda-se 14,7 bilhões de anos-luz) era uma vez num rincão ridículo do espaço sem-fim um planeta pequenitcho pacato, discreto, zulzinho onde a rara co-existência de água, oxigênio, luz e temperatura adequada permitiram o improvável surgimento de vida coalhada de seres inclusive a vida dita inteligente (dessas capazes de escrever poemas criar universos e sistemas perversos de apagar sua própria existência)
Pois então, é bem aí
(na curta história desses serezinhos que se fritam atados num dos quinquilhares de planetóides enfeitiçada por uma estrelazica que se dissolve numa galaxia enorme que no todo se apaga e no nada some)
é bem aí (mais especificamente na rua felizberto brolezze, 120)
que era uma vez eu aqui
vulgo euzin (que talvez chegue aos 70 se as forças da ordem não imperarem).
E apesar da minha notória insignificância diante de tempo e espaço diante do enredo original deste causo
mesmo assim me questiono insolente
(e como eu, tantos antes, Prometeus):
o tudo e o todo
esse fogo que nos devora e forja
o sol que fomos seremos somos
toda essa imensa História
enfim
é a mesma estória sem mim?
fim?



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