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Balada do soldado e do policial

  • 12 de jun. de 2013
  • 1 min de leitura


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Diante da violência da polícia nos atos mundiais e também aqui, no Brasil, na luta pela redução do preço da passagem do ônibus, vale lembrar deste poema de Guillén, musicado por Adolfo Celdrán:

BALADA DO POLICIAL E DO SOLDADO

(Nicolás Guillén, Cuba, 1902-1989)

Soldado de traje amarelo, policial de azul cáqui; mão cega, surdo brilho: pau e fuzil.

Sobre as ruas desnudas, fosca noite sem astros envolve duas sombras rudes de olhos ferozes.

O fuzil, aço mal, grita, se a luz lhe dá; sobre as pedras, o pau grunhe: tra, tra!

(O soldado foi torneiro; o policial, sapateiro.)

Ah, soldado, meu soldado, como podes escapar? Os torneiros que te buscam pronto te vão a encontrar! Policial, onde fostes parar? Os sapateiros perguntam por teu feroz avental!

Passos na rua escura onde a dupla está. Grita o fuzil com voz dura: – Alto! Quem vem lá? – Vai um torneiro, que anda atrás de seu companheiro; venho porque quero te falar… -Não é torneiro, que é soldado grita o fuzil sem compaixão, e depois cospe irado: – Vá p’atrás!

Passos na rua escura onde a dupla está. Grita o pau com voz dura: – Alto! Quem vem lá? – Sapateiro, aqui está teu companheiro; venho, porque quero te falar… Mas o pau grita feroz: – Tome! Tome! Tome e tome! Avise se quiser mais; tombe por aí e não incomode. – Vá p’atrás!

Silêncio. Mas depois da noite desce um canto como uma lua de fel: “Torneiros, muito cuidado, que agora é soldado o torneiro; soldado de corpo inteiro e vão vendados os olhos. Sapateiro, policial, veja que já se faz dia e estás de uniforme novo!”

(Tadução de Jeff Vasques)


 
 
 

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