A vida irrita a arte
- Trunca Edicoes

- 25 de jan. de 2014
- 1 min de leitura

[Pintura inspiradora da querida e forte Beatriz Tavares]
A VIDA IRRITA A ARTE
“Não sou artista, não faço arte, faço denúncia social.” (João Zinclair – operário da fotografia. )
“Isso não é arte!”
dirão – entre esbaforidos e consternados – ao verem que teu poema (ou tua pintura, ou tua música, tua dança, filme, foto ou cena) age.
Ao verem que teu poema luta clama denuncia chora consola abraça gospe grita
Ao verem que teu poema surta explode insulta vomita urra e pira
Ao verem que teu poema planeja pensa analisa lembra relembra conspira
Ao verem que teu poema lambe morde brinca beija ri e fode
…que teu poema mira.
Enfim, sempre dirão – entre esbaforidos e consternados –
“Isso não é arte!”
ao verem que teu poema tem urgência e utilidade.
Ao ouvir tal sentença, poupa tua fala… sorri com classe… com toda tua Classe!
(sorri com a calma com que respira o metrô lotado à tarde…)
[Veja, eles pensam assim porque vivem numa partezinha da vida – numa minúscula classe – onde não há problemas, grandes medos, dores, necessidades e, portanto, há tempo e “futuro” de sobra pra se divertirem com essas palavras antiquadas “posteridade” “eternidade” “arte”…]
Ao te dizerem “Isso não é arte!” …sorri, apenas, e diga:
“Tampouco isto é vida.”



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