
PALHAÇO



E o palhaço, o que que é?



O riso ingênuo diante dos tropeços inevitáveis da vida nos desarma, nos faz humanos. O riso encantado diante do universo que se cria do nada, imaginação compartilhada, nos faz poesia. O riso comovido, que – teimosamente - enxerga a vida, apesar da morte, nos faz mais sábios. O riso amarelo, perplexo, diante da miséria humana, nos provoca e clama nossa ação. O riso ácido de escárnio contra os que nos exploram, nos forja grupo, resistência. São muitos os risos que persigo neste ofício - tão antigo e atual - de mostrar que o rei, e todos nós, estamos nus: ser palhaço. O palhaço de nossos tempos, em minha visão, é o palhaço-vagabundo, meio bufão, meio inocente, sobrevivendo dos restos da humanidade, a nos lembrar que somos todos humanos, ainda que essa moderna coroa - o dinheiro - nos faça crer que somos mais que qualquer um. Conheça um pouco dos meus trabalhos atrapalhados, ou melhor, de meus “trapalhos”, e da minha trajetória cheia de tropeços!
Oficina do Riso



Aqui, alguns dos trabalhos que posso desenvolver a partir de minha lida com o humor:
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oficinas/cursos de introdução ao palhaço
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oficinas/cursos de improviso/impro/teatro esporte
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construção de dramaturgia e texto para espetáculos
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oficinas/cursos de criatividade e espontaneidade
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oficinas/cursos de comunicação e expressão
Meu currículo cênico:
Trajetória palhacística - trapalhos e tropeços
2000
2002-2004
2005
2005-2011
2011
2012
2013
2014
2013-2015
2015
2016
2018
2018-2019
2019
2020
2021
No presente momento
Desde criança, tinha uma imaginação muito poderosa, daquelas de criar guerras intergaláticas no caminho pra escola. Ao mesmo tempo, era muito retraído, me sentindo fora dos padrões estabelecidos, me identificando com figuras descabidas, como Didi Mocó (dos Trapalhões) e Carlitos (de Charles Chaplin). Toda essa "loucura" interna só encontrou corpo já na universidade, quando tomei coragem pra me lançar no meu primeiro curso de palhaço com o mestre João Mendes... um novo horizonte se abria pra mim e Magrólhos via o mundo pela primeira vez!


João Mendes, meu primeiro mestre palhaço, me convida para atuar no grupo "Libertadores do Riso", fazendo visitas em hospitais públicos de Campinas e região. Esse primeiro trabalho me impacta profundamente, e reforça, pra mim, o papel social dessa figura, seu poder de descer as máscaras e permitir que nos vejamos mais humanos. Na imagem do nosso folder, ao lado, Magrólhos está de camise de bolinhas.
Junto com João Mendes, desenvolvo o curso de arte-educação "Procura-se os sentidos" para professores da rede pública de Campinas, mesclando palhaçari a e literatura infantil. E, com outros amigos, desenvolvemos o projeto "Sarau", de incentivo à leitura e escrita, voltado para o EJA (Educação de Jovens e Adultos)

Realizo mais dois cursos de aprofundamento com a mestra palhaça Ana Elvira Wuo.


Magrólhos já vem ao mundo carregando uma certa rebeldia nata, participando de várias manifestações políticas, como nas fotos abaixo: na primeira, à esquerda, lidera a passeata do movimento estudantil, levando um abacaxi para ser descascado pelo pró-reitor (clique na foto para ampliá-la!), e, na foto da direita, participa das celebrações do dia das crianças na antiga ocupação mogiana. Aqui, ao lado, Magrólhos se deixou clicar vestindo apenas frigideira para o jornal do DCE da Unicamp.


Ainda nesse período, ministro um curso de palhaço para jovens do Movimento Sem Terra (MST) e uma das participantes, a que nunca abria um sorriso, me marcou profundamente ao me entregar uma cartinha no final do curso (clique aqui, ao lado, para ampliá-la). Desde sua carta, Magrólhos teve certeza de que palhaço queria ser no mundo... e em que direção apontaria seu nariz vermelho!


Durante esses anos iniciais, eu e Magrólhos mergulhamos em diversos cursos de dança e música, sendo muito especial o curso "A arte do Brincante", realizado por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida, em que nos aproximamos mais da cultura popular, dos brinquedos e palhaços populares, vinculação que marca nosso caminho na palhaçaria até hoje.
Magrólhos hiberna por alguns anos. Isso se deu por causa de meu profundo e intenso ativismo político que, há época, não permitiu que continuasse com minhas atividades artísticas. Foi um período importante para minha formação geral, mas hoje já não concebo que meu ativismo ou minha arte caminhem separadas. Vão juntas, de braços dados.
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Atuação no espetáculo "Luna de Tango", que aborda a cultura popular da Argentina.

Construção e atuação no espetáculo "O homem da cabeça de papelão"
Construção e atuação no espetáculo "Guia prático de como lidar com adultos"


Construção e atuação no espetáculo "Do pó ao poporopó: Funeral Clown"

Durante as manifestações massivas que tomas as ruas em 2013, surge o Capitão Vinagre, que com seus super-poderes humorísticos e vinagrísticos mantinha todos sãos e salvos dos efeitos lacrimejantes da tristeza e dos gases arremessados
Nesse período, participei de diversos cursos de palhaço/improviso com mestres nacionais e internacionais: Ésio Magalhães (Brasil); Tiche Viana (Brasil); Luciane Olendzki (Brasil); Chacovachi (Argentina); Estela Huergo (Argentina); Eric Le Bont (Espanha)


Ministrei, em pareceira com o Centro Pop de Campinas, oficinas de palhaço para a população em situação de rua, participando com cenas nos atos organizados por essa população contra a violência recebida nas ruas. Na foto, eu e Seu Joeber contracenando na praça.
A partir das histórias recolhidas nas oficinas junto à população em situação de rua, nasce o "Circo da Miséria: o maior desespetáculo da Terra", em que Magrólhos, como palhaço-vagabundo, arma seu circo da sobrevivência diante de seus desrespeitável público. Esse "desespetáculo" foi selecionado pelo edital FICC 2014/2015 (Campinas).

Tradução e publicação do livro "Manual e guia do palhaço de rua" do mestre palhaço argentino Chacovachi
Dou início ao projeto de girar, levando minha arte pelas Américas, morando em minha kombosa, a Poderosa Dulcinéia. Ao lado, o projeto estampa a capa do principal jornal de Campinas.

O Circo da Miséria é apresentado fora do Brasil, em escolas públicas, festivais e espaços culturais. Abaixo 3 fotos de momentos especiais: apresentação em escola pública na região periférica de Montevidéu; cena improvisada no Festival de Circo de Rosário-Argentina, às vésperas das eleições presidencias do Brasil (a cena foi ovacionada e aplaudida de pé!); apresentação no Museo del Hambre em Buenos Aires.



Nesse período, faço cursos de formação dentro e fora do Brasil: Máscara Neutra com Marcelo Savignone (Argentina); Palhaço e teatro físico com Lucia Snitcofsky (Argentina); e cursos de Bufão, como podem ver na foto ao lado, com Bruno Guida e Daniela Biancardi.


Circo da Miséria é selecionado pelo edital PROAC/2019 para circular por 20 cidades do interior do estado de São Paulo, realizando também a oficina "A miséria e o palhaço vagabundo"
Ministro curso de Improvisação e Criatividade na Univ. estadual de Campinas (UNICAMP).
Selecionado como suplente no edital PROAC 2021 na categoria Circo, com projeto de novo espetáculo.
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Trabalhando em um novo espetáculo solo a ser lançado ainda em 2022!
