Zé Castanha e Maria do Espírito Santo
- 1 de jun. de 2011
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Abaixo um poema do querido Gera, de quem preciso selecionar uns poemas urgentemente pra divulgar aqui no Passarin! O poema trata do assassinato recente do casal de ambientalistas no Pará. Esse casal vinha denunciando a ação ilegal das madeireiras na região.
Zé Castanha e Maria do Espírito Santo
Foi assim eles estavam no caminho de casa na moto velha de guerra talvez conversando sobre banalidades dessas que a gente fala todo dia o que fazer pra comer o preço do leite o filho doente o futuro.
Então quase ninguém ouviu vindos do escuro, escondidos, os ruídos repetidos sem cessar desde o descobrimento da Nossa América.
A vida deve sempre dar lugar ao progresso. Não é o bagre bigodudo presente só no afluente do afluente do grande rio, não é só a castanheira, o açaizeiro, é o homem, a mulher, o casal que hoje não volta pra casa.
Vai ver prendem uns pistoleiros depois de dois anos regime semi-aberto, de mil dos poderosos prendem um, aguarda os mil recursos em liberdade.
Antes fosse a lei da selva!
Agora quem vai tirar da cabeça das pessoas esse progresso-trator infinito, vai arrastando tudo mata-mata-mata preto, branco, índio, mestiço mata floresta mata cerrado mata água mata terra mata ar?
Zé Castanha não colhe mais, o boi do desenvolvimento quer pastar no seu quintal. A Maria foi mesmo pro Espírito Santo, deixou o caminho aberto pra moto-serra zunir e fazer do Brasil potência.
O futuro deles não veio, o nosso está aí por fazer.
Poema de Geraldo Witeze (http://www.sobreaspalavras.blogspot.com/)



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