praquês
- 26 de mai. de 2010
- 2 min de leitura

Mergulhado esta semana nos livros, tentando escrever alguma coisa da dissertação de mestrado… mergulhado em gramsci… nesses mergulhos não é difícil ir esquecendo das motivações reais de tudo isso (a universidade, o intelecto, a vaidade vão te seduzindo com outras tantas motivações). Aqui tra(b)duzo um poema do Roque Dalton que me ajuda a não esquecer dos verdadeiros porquês. E depois um trechinho que achei bonito do Gramsci…
A pequena burguesia
(sobre uma de suas manifestações)
Os que no melhor dos casos querem fazer a revolucão para a História para a lógica para a ciência e a natureza para os livros do próximo ano ou para o futuro para ganhar a discussão e inclusive para sair, enfim, nos jornais e não simplesmente para eliminar a fome dos que têm fome para eliminar a exploração dos explorados. É natural então que na prática revolucionária cedam somente ante ao juízo da História da moral do humanismo da lógica e das ciências dos livros e dos jornais e se neguem a conceder a última palavra aos esfomeados, aos explorados que têm sua própia história de horror sua própria lógica implacável e terão seus própios livros sua própria ciência natureza e futuro.
Trecho Gramsci sobre mudança individual x social
“(…)O homem deve ser concebido como um bloco histórico de elementos puramente subjetivos e individuais e de elementos de massa e objetivos ou materiais, com os quais o indivíduo está em relação ativa. Transformar o mundo exterior, as relações gerais, significa fortalecer a si mesmo, desenvolver a si mesmo. É uma ilusão e um erro supor que o “melhoramento” ético seja puramente individual: a síntese dos elementos constitutivos da individualidade é “individual”, mas ela não se realiza e desenvolve sem uma atividade para fora, transformadora das relações externas, desde aquelas com a natureza e com os outros homens em vários níveis, nos diversos círculos em que se vive, até a relação máxima, que abarca todo o gênero humano. Por isso, é possível dizer que o homem é essencialmente “político”, já que a atividade para transformar e dirigir conscientemente os outros homens realiza sua “humanidade”, a sua “natureza humana”.” [pag. 406-407 (cadernos do cárcere, caderno 10)]



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