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Mais Idea Vilariño

  • 28 de out. de 2011
  • 1 min de leitura


JÁ NÃO

Já não será, já não viveremos juntos, não criarei teu filho não coserei tua roupa, não te terei de noite não te beijarei ao partir, nunca saberás quem fui porque me amaram outros.

Não chegarei a saber por que nem como, nunca nem se era de verdade o que disse que era, nem quem foste, nem quem fui para ti nem como teria sido vivermos juntos, querer-nos, esperar-nos, estar.

Já não sou mais que eu para sempre e tu Já não serás para mim mais que tu. Já não estás em um dia futuro não saberei onde vives, com quem nem se te lembras.

Não me abraçarás nunca como essa noitee, nunca. Não voltarei a tocar-te. Não te verei morrer.

A CANÇÃO E O POEMA

Hoje que o tempo já passou, hoje que já passou a vida, hoje que me rio se penso, hoje que esqueci aqueles dias, não sei porque me desperto algumas noites vazias ouvindo uma voz que canta e que, talvez, é a minha. Quisera morrer — agora— de amor, para que soubesses como e quanto te queria, quisera morrer, quisera… de amor, para que soubesses… Algumas noites de paz, — se é que as há todavia— passando como sem mim por essas ruas vazias, entre a sombra estreita e um triste odor de glicínias, escuto uma voz que canta e que, talvez, é a minha. Quisera morrer — agora — de amor, para que soubesses como e quanto te quería; quisera morrer, quisera… de amor, para que soubesses…

 
 
 

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