Leonard Cohen I
- 11 de jan. de 2010
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Conheci o canadense Leonard Cohen pelo meu amigo-poeta Cássio (que aliás me apresentou um monte de coisas legais, dos Beats ao Belchior – o Dylan brasileiro). Conheci primeiro a música. É sempre estranho o primeiro contato com a música do Cohen: sua voz grave (em grande medida por causa do cigarro) numa melancolia sepucral cantando músicas que mais lembram, como já disse Dylan, orações, ou cânticos de pastores-perdidos-na-vida, falando de seus amores como quem se dirige ao sagrado. Ouvindo mais fui percebendo a qualidade das letras (poesia pura) e fui entrando em seu mood (aquela história de Ler-o-Autor que disse no post anterior). Percebi que ele deveria ser, antes de tudo, poeta. Fui atrás e dito-e-feito: já tinha escrito romances e muita poesia, mas resolveu ser cantor porque queria que sua poesia chegasse a mais gente. E conseguiu! Chegou até aqui, em Campinas, nos meus ouvidos!
Como é acima de tudo poeta, há pouca diferença entre as letras de suas músicas e poesias. Apesar de ter uma escrita muito próxima a pegada beatnik, os beats-famosos (ginsberg, kerouac etc) não gostavam do Cohen (dizem que é porque ele se vestia muito bem, sempre de terno). Então Cohen ficou meio a parte. Sua poesia tem uma mistura louca de zen-budismo (viveu uns 5 anos num mosteiro) com temas do judaísmo, tudo isso sobre o prisma da vida moderna e de suas paixões, o eixo em torno do qual parece que tudo gira, a mulher e seu apaixonamento. Tô com o livro “Stranger Music”, um taludão com compilação de letras de música e poesia, tudo em inglês. Tava feliz pq achei que iria fazer traduções inéditas aqui, mas descobri que tem uma antologia do Cohen em português: “Atrás das linhas inimigas de meu amor”. Tudo bem, sigo traduzindo…
MARITA
Marita por favor me ache eu já tenho quase 30
A RAZÃO PORQUE ESCREVO
A razão porque escrevo é pra fazer alguma coisa tão bonita como você é Quando estou com você Eu quero ser o tipo de herói que eu queria ser quando eu tinha sete anos um homem perfeito que mata
VOCÊ NÃO TEM QUE ME AMAR
Você não tem que me amar só porque você é todas as mulheres que eu sempre quis Eu nasci pra te seguir toda noite enquanto eu sou ainda os vários homens que te amam Eu te conheci numa mesa. eu tive tua palma entre minhas mãos num taxi solene. Eu acordei sozinho minha mão em sua ausência no Hotel Disciplina. Eu escrevi todas estas canções pra você Eu queimei velas vermelhas e pretas moldadas como um homem e uma mulher Eu me casei com a fumaça de duas pirâmides de sândalo Eu orei por você eu orei pra que você me amasse
e pra que você não me amasse



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