gume de amor
- 13 de dez. de 2010
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Muito tempo atrás, pintei um quadro com uma foto minha de menininho junto com meu pai (com o qual convivi só até meus 3 anos). Fazer esse quadro foi um gesto duro, mas necessário que marcou o início de um período de reconstrução lento, de balanço geral, de aceitar os podres que carregava e aceitando partir desse chão lamacento pra construir o novo, o que viesse… nesse quadro pintei o poema, abaixo, do Thiago de Mello, muito forte e que fazia muito sentido pra mim naquele momento. Esses dias, perambulando pela casa de madrugada, reencontrei esse quadro pendurado em meu mural… há muito já não dava atenção pra ele, ali, paradinho, sempre me alertando, me alertando, sempre… mas eu não o via mais… e fui me perdendo do gume do amor… mas agora, antes de ontem, perambulando na madrugada meus olhos pararam sobre ele… e, finalmente, o vi. e o golpe foi duro. e necessário. Que ele possa ter, novamente, o efeito que teve certa vez…
Por que ainda me resisto a dizer tudo? Quando o que decidi foi simplesmente tudo aceitar a começar por mim?
Por que me escondo, menino medroso, da foice da verdade, que só quer, gume de amor, cortar o que está podre?
A hora é a do boi da cara preta! Que eu seja capaz dela, puta merda!
(Thiago de Mello)



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