Golpes
- 29 de nov. de 2010
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OS MENSAGEIROS NEGROS (Cesar Vallejo)
Há golpes na vida, tão fortes… Eu não sei! Golpes como do ódio de Deus; como se ante eles, a ressaca de todo o sofrido se empossara na alma… Eu não sei!
São poucos; mas são… Abrem valas obscuras no rosto mais feroz e no dorso mais forte. Serão, talvez, os potros de bárbaros átilas; ou os mensageiros negros que nos manda a Morte.
São profundas quedas dos Cristos da alma, de alguma fé adorável que o Destino blasfema. Esses golpes sangrentos são as crepitações de algum pão que na porta do forno se queima.
E o homem… Pobre… pobre! Volta os olhos, como quando por sobre o ombro nos chama uma palmada; volta os olhos loucos, e todo o vivido se empoça, como charco de culpa, na mirada.
Há golpes na vida, tão fortes… Eu não sei!



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