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Etcétera

  • 5 de out. de 2012
  • 1 min de leitura


ETCÈTERA

(Ángela Figuera Aymerich, Espanha)

O pai trabalhava na mina. A mãe trabalhava nas casas. O menino andava pela rua aprendendo boa conduta.

Ao fim da noite os três juntos ao redor do jarro e da sopa. O pai em seu legítimo direito, tomava para si a melhor parte. A mãe dava ao menino do seu. O menino sorvia e terminava pedindo chocolate ou tangerinas. O pai lhe golpeava quatro gritos (sempre bebia ao fim além da conta) e logo falava mal do governo e logo se deitava com as botas. O menino dormia sobre o cotovelo. A mãe o deitava os pescoções e logo abria a torneira e reclamava, que vida, Deus, esfregando as louças, e logo falava mal do marido e logo lhe lavava a camisa e logo se deitava como é justo.

Bem de manhã no dia seguinte o pai descia aos poços, a mãe subia às casas, o menino saía à rua. Etcétera. Etcétera. Etcétera.

(Não sei porque comecei a contá-la. É uma história chata e todos sabem como acaba.)


 
 
 

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