dedo médio na Mostra Luta
- 26 de out. de 2010
- 2 min de leitura
A Mostra Luta cumpriu mais uma vez o papel de me injetar muita energia e força pra luta, me reafirmou a importância da cultura, da formação e da comunicação especialmente na conjuntura que vivemos no Brasil de fragmentação e apatia. O sarau de encerramento foi muito forte pra mim… ainda processando tudo que está girando dentro do peito. Novos contatos feitos, com poetas e lutadores. Abaixo, o ótimo poema do beatnik Ferlinghetti lido pelo amigo e poeta Cássio durante o sarau!
SAUDAÇÃO (Lawrence Ferlinghetti)
A cada animal que abate ou come sua própria espécie E cada caçador com rifles montados em camionetas E cada miliciano ou atirador particular com mira telescópica E cada capataz sulista de botas com seus cães & espingardas de cano serrado E cada policial guardião da paz com seus cães treinados para rastrear & matar E cada tira à paisana ou agente secreto com seu coldre oculto cheio de morte E cada funcionário público que dispara contra o público ou que alveja-para-matar criminosos em fuga E cada Guardia Civil em qualquer pais que guarda os civis com algemas & carabinas E cada guarda-fronteiras em tanto faz qual posto da barreira em tanto faz qual lado de qual Muro de Berlim cortina de Bambu ou de Tortilha E cada soldado de elite patrulheiro rodoviário em calças de equitação sob medida & capacete protetor de plástico & revólver em coldre ornado de prata E cada radiopatrulha com armas antimotim & sirenes e cada tanque antimotim com cassetetes & gás lacrimogênio E cada piloto de avião com foguetes & napalm sob as asas E cada capelão que abençoa bombardeiros que decolam E qualquer Departamento de Estado de qualquer superestado que vende armas aos dois lados E cada Nacionalista em tanto faz que Nação em tanto faz qual mundo Preto Pardo ou Branco que mata por sua Nação E cada profeta com arma de fogo ou branca e quem quer que reforce as luzes do espírito à força ou reforce o poder de qualquer estado com mais Poder E a qualquer um e a todos que matam & matam & matam & matam pela Paz Eu ergo meu dedo médio na única saudação apropriada
Prisão de Santa Rita, 1968



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